O Castro Eneolítico de Olelas
As primeiras informações sobre o castro remontam a 1878, produzidas por Carlos Ribeiro. Entre 1952 e 1957, Cunha Senão e Prescott Vicente levaram entretanto a cabo as primeiras investigações. O castro situa-se na actual freguesia de Almargem do Bispo, no cume do monte de Olelas.
Trata-se de uma estação complexa, sobretudo pela variedade de locais arqueológicos, que inclui três grutas necrópoles, seis jazidas de superfície, muralhas defensivas e monumentos de carácter funerário. Contudo, deste largo espólio, somente dois edifícios foram postos a des­coberto, sendo esses que iremos abordar.
O primeiro edifício é composto por uma câmara funerária circular e por um corredor diferenciado. A câmara tem um diâmetro interno de 3,90 m. O corredor mede cerca de 2,30 m de comprimento sendo a largura média de 0,80 m. Quer o corredor quer a câmara são formados por grandes blocos de calcário, enquanto os interstícios e os buracos da construção são tapados por pequenas pedras e terra. Note-se que a espessura das paredes é de cerca de 80 cm. Existe a possibilidade de o edifício ter possuído cúpula.
O segundo edifício não é substancialmente diverso, mas possui uma particularidade interessante: a sua planta não é arredondada mas elípti­ca, sendo o eixo maior de 4,10 m e o eixo menor de 2,40 m; as paredes têm uma espessura de 1,40 m.
O espólio do local. até agora conhecido, é variado. Inclui:
- Materiallítico - armas e utensílios de sílex, dez pontas de seta, lâminas delgadas, raspadores, furadores, lamelas, instrumentos de pedra polida, botões.
Osso - furador. - Metal - furador.
- Objecto de culto ou magia - descobriu-se no local um pequeno vaso de calcário, representando um suíno. Possuí 13 cm de comprimento e tem uma concavidade oval no topo. Encontraram-se ainda dentes de javali e de porco, para além de caninos e presas de felinos. Aconselhamos mais uma vez o visionamento do espólio no Museu Regional de Sintra, onde está depositado.