O Dólmen de Monte Abraão dólmen de monte abraão..jpg
Situado na freguesia de Queluz-Belas, o dólmen do Monte Abraão faz parte de um conjunto megalítico bastante conhecido no concelho - e até fora dele - e de que fazem também parte, para além deste monumento, o conjunto de antas de Belas, os dólmens de Pedra dos Mouros e da Estria. As primeiras notícias sobre este dólmen e sobre os monumentos circun­dantes datam de finais do século XIX, sendo da responsabilidade do arqueólogo Carlos Ribeiro (in «Notícia de algumas estações e monumen­tos pré-históricos», Lisboa, 1880). Então, e pela primeira vez, chegou este conjunto monumental ao conhecimento público, sendo logo em 1910 consi­derado «Monumento Nacional». Isto, apesar de o vasto conjunto estar já então danificado por depredações anteriores, segundo Carlos Ribeiro. Nada foi saqueado - que nada havia de "valor" para os saqueadores ­mas muito foi destruído.
Do conjunto megalítico destaca-se o dólmen chamado do Monte Abraão, por ser o maior das Antas de Belas. E composto por uma câmara poligonal a poente, com galeria anexa que se estende a nascente. A câmara tem cerca de 3,5 m de diâmetro sendo formada por oito lajes, enquanto que o corredor possui oito metros de comprimento por dois de largura, o que dá um total de quase 12 metros de comprimento global.
As lajes, por seu turno, podem ir até aos cinco metros de altura (qua­tro a descoberto e um enterrado no solo), não tendo curiosamente sido edificadas de molde a permitir o assentamento de uma laje transversal superior. Na verdade, uma dessas lajes foi inclinada de modo a formar uma espécie de toldo de cobertura, o que confere ao conjunto uma certa originalidade. Ainda sobre as lajes, há a registar - de acordo com o estu­do da sua constituição - que foram trazidas de várias centenas de metros a norte.
Todo o conjunto apresenta uma característica interessante: nada do local - nem características do solo ou pedras - foi aproveitado para a edificação deste dólmen, ao contrário do verificado noutros sítios - como Colares. As lajes foram trazidas das cercanias, e o solo foi aplanado e preparado para a edificação do dólmen através do alisamento do solo e do nivelamento de saliências.
Do vasto conjunto de vestígios descobertos salientam-se facas, pontas de flecha e de lança (tudo em sílex), facas de quartzo, machados e raspa­dores de pedra, amuletos em ardósia, objectos fragmentados (vasos e pra­tos em cerâmica) e inúmeros restos humanos (ossos e 1340 dentes).
Pela sua relativa monumentalidade, pelo sofrível estado de conserva­ção, por se tratar do maior dólmen do conjunto das antas de Belas, este monumento merece uma visita sobretudo de cariz didáctico.